Facebook do Piratacast Twitter da Equipe Piratacast TV do Bau Piratacast, Diário de Bordo e Papo Pirata Feed do Site Feed do Podcast Assine no Itunes Entre em Contato

[Review] – MAUS

24 / fev / 2010
Cleverson


MAUS, originamente conhecido como Maus: A Survivor’s Tale, é uma graphic novel ambientada entre a década de 30 e 80 onde o autor – Art Spiegelman – relata suas conversas com seu pai – Vladek Spiegelman – onde ele conta como foi sua vida pré-guerra e tudo que ele passou durante o Holocausto até o fim da guerra.

Há muito tempo que deixou-se de publicar boas histórias, sejam em formato de HQ ou livros, sobre o Holocausto. O motivo talvez não seja por falta de autores de qualidade mas porque o mercado esteja saturado de peças sobre este assunto. Em um mercado tão saturado assim é muito fácil dizer que MAUS foi o masterpiece do gênero.

Spiegelman consegue traduzir nos seus desenhos todos, ou quase todos, os sentimentos que a situação proporciona desde o desespero das perseguições ao seu pai ainda na Polônia ou suas dúvidas sobre o que publicar ou não a respeito de todo o passado da sua família.

O diferencial apresentado em MAUS é o foco fora da história principal. Você sabe que Hitler, Stalin e todos os outros existem e sabe que estão lá mas em nenhum momento você os vê ou lê sobre eles. O que é mostrado são somente as consequências de suas decisões. A graphic novel limita-se aos níveis mais baixos dos civis, fossem procurados ou meros “soldadinhos” e isso é que torna a leitura tão verdadeira.

Em desenhos muito bem planejados Spiegelman consegue retratar toda a Polônia pré-guerra e como o povo era dividido em prós e contras a Hitler, passando pelas cidades tomadas, os trens de refugiados, os falsos recrutamentos até a divisão dos países em setores e o confinamento em Auschwitz.

Outra característica que conquista o leitor, pelo menos eu, muito facilmente é a facilidade com que ele consegue chamar a sua atenção para acontecimentos fora da história, fora da curva lógica. Boas páginas são despendidas mostrando como seu pai e sua família conseguiam sobreviver nos esconderijos improvisados nas cidades. Em um dos capítulos ele chega até a mostrar como os esconderijos eram feitos exibindo cortes da planta arquitetônica das casas da época.

Um modo extremamente prático e, por vezes engraçado, que o autor encontrou para demonstrar fisicamente a diferenciação de cada nacionalidade e as intrigas que isso implicava foi na personificação apresentada aos personagens.

Os judeus, povo de seu pai, são desenhados como ratos. Os alemães, logicamente, são gatos, seus eternos inimigos. Os americanos são cães, devido a antipatia que eles tinham pelos alemães (gatos) durante a guerra, poloneses são porcos, franceses são sapos (devido as peculiaridades de sua culinária), entre outros.

Prestando mais atenção aos detalhes dessas personificações é fácil se divertir com as sacadas do autor como, por exemplo, quando ele conta que vestia-se como um oficial alemão para andar na rua ou como um civil polones, seu personagem no quadrinho aparece usando uma máscara de gato ou porco. Em outro momento quando conta que seu pai e sua mãe foram capturados na rua pois o disfarce de sua mãe estava mal arrumado, você vê no desenho os personagens com máscaras de gato mas com o rabo de um rato saindo da roupa. Enfim, são vários acontecimentos assim e todos muito bem bolados.

Assim como toda história sobre o Holocausto é uma história triste e, por vezes, mutito pesada de ler mas ao mesmo tempo é contagiante e te prende muito fazendo com que não queria parar até chegar no fím do capítulo.

MAUS foi originalmente publicado na revista RAW, onde o autor era editor. Depois foi publicado em duas partes distintas até, em 1986, ser publicada em seu volume único, pouco tempo depois de Vladek (pai do autor e protagonista) vir a falecer. Em 1992 o quadrinho recebeu o Prêmio Especial Pulitzer pois o comitê não conseguiu decidir se a obra era ficção ou biográfica.

Categoria(s): Leitura Pirata

3 marujos comentaram até agora...

  1. @paulopatux disse:

    Não sou leitor de quadrinhos. Muito por falta de ânimo pagar tanto por conteúdos que ficam girando 1000 vezes em torno de si mesmo, heróis que morrem e renascem ao fim de cada saga é um típico argumento destas histórias que me desanima profundamente.
    Daí me deparo com MAUS. E que GRATÍSSIMA surpresa eu tive ao ler esta DÁDIVA!! É o tipo de livro que a gente recomenda pra todo mundo.
    Nerd ou não, leitores vorazes ou não, jovens ou adultos. Tanto faz! Recomendo MUITO!

    A forma como a história é retratada, acompanhada da relação do filho (o narrador central) enquanto entrevista seu pai (que é quem relata a história no ambiente da guerra), faz da leitura de MAUS algo VICIANTE.

    Comecei a ler e só parei quando o livro acabou!

    Se recomendo!? CLARO! E muito!!
    Mas cuidado! Você vai querer mais, mas o livro termina! rs

    (Obs: ótimo post!)

  2. Ainda não li. Mas depois vou procurar para ler.

  3. fabio miklos disse:

    Leu Maus …pelo menos uma vez no ano!
    obra incrivel e refinada.


    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .
    .