Facebook do Piratacast Twitter da Equipe Piratacast TV do Bau Piratacast, Diário de Bordo e Papo Pirata Feed do Site Feed do Podcast Assine no Itunes Entre em Contato

Branca é a cor da tortura

30 / nov / 2009
Convidado Pirata


A provação começa já na entrada. A primeira etapa é a tortura psicológica: a sala de espera. O ambiente todo branco, asséptico, deixa claro que você está saindo do mundo dos seres humanos normais. Revistas velhas que você odeia, mas fatalmente vai folhear. Depois vem o cheiro fortíssimo de flúor (ou sei lá de que) que já te anestesia ali mesmo. E o som do instrumento preferido do carrasco, a broca, não deixa dúvidas sobre o que te espera. Sim, não tem erro: você está no dentista.

Dentista

Eu sei que eles são profissionais respeitáveis, que cuidam da nossa saúde, que eu seria banguela se não fosse por eles, mas não tem jeito. Odeio dentistas. Mais até do que caminhoneiros, mas essa é outra história. O fato é que a odontologia é a tortura mais refinada que existe. Creio que a profissão surgiu quando os torturadores medievais procuravam um modo de continuar a exercer seu sadismo após o fim da Inquisição. Perceberam que a maioria das pessoas tinha dentes podres e pronto, o estrago estava feito. Camuflados com boas intenções, continuaram a afligir a humanidade.

Por tudo isso, dá pra imaginar como eu fiquei “feliz” com a consulta marcada na última quinta-feira. Plano de saúde vencendo, tem que aproveitar, blábláblá. Lá vai o boi pro matadouro. Na entrada, quem abre a porta é a assistente, toda de branco, touca na cabeça. Parecia uma cirurgiã que tinha acabado de terminar uma operação complicada. Definitivamente, eu estava saindo do mundo dos seres humanos normais.
Uma vez lá dentro, surpresa: a sala não era toda branca. Tinha uma parede amarela, várias plantas, quadros e outras peças de decoração com temática japonesa. O consultório era de um casal de japoneses, o que me causou uma certa preocupação. Os orientais têm técnicas milenares de tortura, uma mais terrível do que a outra. Pelo menos é assim nos filmes. Meu medo aumentou quando o dentista saiu falando – em japonês – com uma paciente da mesma etnia.
Na sala de espera, além de mim havia apenas uma senhora idosa parecida com a Dona Benta (se bem que todas as vovós parecem a Dona Benta). Por algum motivo sua consulta fora remarcada para o dia seguinte, mas ela não quis perder a viagem e estava copiando uma receita culinária de (adivinhe) uma das revistas velhas. Na certa ia levar para a Tia Nastácia preparar.
Fiquei esperando os sons aterrorizantes, mas outra surpresa, não ouvi nada (além das músicas horríveis do rádio). Tive então um flashback ao estilo Lost, de uma consulta da minha tenra infância. Eu com aquela máscara bucal horrorosa, a dentista empolgada trabalhando com broca feito um metalúrgico e “conversando” comigo (nunca vou entender esse hábito deles, será que esperam alguma resposta?), quando uma dor súbita me fez dar um urro gorgolejante que deve ter sido ouvido até do outro lado da rua. Nunca esquecerei da mulher se abaixando ao meu lado e sussurrando desesperada: “Por favor, assim você vai assustar as criancinhas que estão esperando!”. Só pude torcer para elas fugirem, assim meu sacrifício não seria em vão.
De volta ao presente, minha hora havia chegado. Quem ia me atender era a esposa, o que tornava tudo mais assustador. Mulher, né… quando quer causar dor, é imbatível. Na hora de preencher a ficha, ela pergunta o número do meu celular.
“Nove…”.
Foram necessários alguns segundos para lembrar do resto. Ela queria o que, a visão da cadeira não me deixava pensar em nada. Em seguida ela perguntou o que eu estava sentindo. “Vontade de sair correndo”, pensei. Mas respondi apenas “nada, está tudo bem… acho”.
No fim das contas, foi tudo bem tranqüilo. Quer dizer, mais ou menos. Não houve broca, nem máscara, nem urros, nada disso. Apenas um exame simples, comentários sobre os dentes do siso, uma cárie. O problema foi ela pedir exames de raios-X, e dependendo dos resultados terei que voltar lá. Ou seja: o pesadelo ainda não acabou.

Categoria(s): Motim

4 marujos comentaram até agora...

  1. .
    .
    Cara, eu tenho um medo tão grande de dentista (não somente do consultório mas também da conta) que há mais de 10 anos não vou em algum…
    .
    Pra minha sorte, eu puxei a boa dentição do meu pai. Apesar dos 32 anos eu nunca tive nenhuma cárie, não tenho dentes tortos e nem o siso nasceu até hoje…
    .
    Sei que já passou da hora e tenho que tomar vergonha na cara pra ir no consultório fazer ao menos uma inspeção, mas enquanto puder adiar eu vou adiando… HEHE.
    .
    .

  2. Leandro disse:

    Seus comentários são engraçados, mas realistas .. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  3. Dentista disse:

    Antes de ler meu comentário,saiba que sou dentista.

    Eu torturo com muito prazer
    sou o dentista
    BURRO é você!

    QUE APODREÇAM NO INFERNO,FILHO DA PUTA


    .
    @jabour_rio, @iskilo666, @junior_cq,
    @cleverson, @piratacast, @baupirata