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[O Mapa] David Ricardo

14 / set / 2009
Pablo Muniz


Olá Senhores,

Semana passada falei sobre o surgimento da nova classe social, a burguesia, e a necessidade de novos pensamentos econômicos que explicassem as novas formas de produção e de formação de renda. Assim surgiram os clássicos, inicialmente com Adam Smith, teorizando sobre a divisão do trabalho e o funcionamento do capitalismo. Mesmo assim, as idéias de Smith não foram suficientes, e não explicavam, por exemplo, como eram divididas as riquezas entre as camadas da sociedade, ou como as leis de oferta e procura influenciavam os preços dos produtos.

David RicardoDentre vários autores que estudaram e tentaram aprimorar as idéias de Smith, temos David Ricardo, filho de um Holandês que vivia em Londres, onde era corretor de bolsa de valores. O mais interessante na vida de Ricardo, é que ele nunca cursou uma universidade quando novo, e aprendeu os seus conceitos por trabalhar com valores monetários desde os 14 anos, junto com o pai. As 40 anos, já tinha formado fortuna, e aí sim resolveu largar o trabalho e se aprofundar no seu conhecimento econômico. Foram nesses próximos 11 anos que ele publica suas obras, e deixa bases conceituais que seriam as mais importantes na economia por mais de 200 anos.

Então, vou tentar explicar de uma forma simples as idéias de Ricardo. Seu principal problema na época era explicar a causa do enorme aumento de preços que a Inglaterra passava, ou seja, inflação. E é nessa busca que ele chega à duas teorias, que se completam: A Teoria do Valor do Produto, e a Teoria da Repartição.

Continuando o pensamento de Smith, Ricardo diz que o valor de um produto é um resultado de todo o trabalho empregado na sua produção, seja o valor pago ao trabalho dos operários, e o lucro dos capitalistas, que não deixa de ser o seu trabalho. E acrescenta também o valor das máquinas usada nessa produção, pois na produção das próprias máquinas, também foi utilizado trabalho, e esse seria o seu valor incorporado. Ou seja, um produto terá o seu valor de acordo com toda a quantidade de trabalho empregada, desde os seus estágios anteriores, na produção de certo produto.
(Alguns produtos fugiam a essa teoria de Ricardo, como objetos raros, obras de artes, vinhos finos, etc.. Mas essas eram exceções que não desvalidavam a regra, pois essa valeria aos produtos fabricados pelo homem, e em escala)

Mas a idéia de Ricardo ainda não estava pronta, sua teoria explicava como se chega ao valor bruto do produto, que ele chamou de preço natural. Mas, da mesma forma que Smith, não explicava como a lei de oferta e procura afetava esses preços. Então, ele formulou a sua Teoria da Repartição explicando como chegar ao preço de mercado desses produtos.

Vamos explicar a idéia de Ricardo usando sua mesma analogia. Pensamos num país onde será iniciada a produção de trigo, por exemplo. O primeiro lugar em que se buscará produzir será a melhor terra da região, aquela onde a produção vai sair mais barata. Digamos então, que o tanto de trabalho empregado na produção de uma tonelada desse trigo é X, e como vimos, esse será o seu valor no mercado, o quanto ele receberá na venda. E sem receber mais do que o valor da produção, esse produtor não terá lucros, e não aumentará produção.

(Lembre-se que o valor do “trabalho do produtor” já foi pago nos custos de produção, apenas não foi pago a mais, que seria necessário pra ele aumentar essa produção.)

Ma só que, com trabalhadores empregados em boas condições, a população tende facilmente a aumentar. Aumentando a população, é necessária maior produção de alimento, e consequentemente, o trigo que estamos estudando. Em algum momento, todas aquelas primeiras terras “boas” serão esgotadas, então será necessário produzir em terras piores, onde ficará mais caro produzir. Produção mais cara, também deixa o produto mais caro.

Então, temos a produção nas terras A: terras boas, onde o custo da produção, e também o preço do produto, será X.

E também temos as terras B: terras piores, onde o custo de produção será maior, e podemos chamar de Y.

Por analogia: Y > X

E daí eu te pergunto, o produto da terra A e terra B, mesmo com custos diferentes, são diferentes entre si?

NÃO, continuam sendo uma tonelada de trigo. E a população crescente, necessita consumir toda essa produção. Então, o mercado se ajustará para pagar o custo de produção mais caro, ou seja, Y. É daí então que surge o lucro das terras A, elas produziram a preço X, mas venderão a preço Y. Seu lucro será (Y –X).

E é assim que se dá a renda dos produtores, com o aumento da procura pelos produtos, fatores menos produtivos (mais caros) terão que ser considerados na produção, e quem produzir num valor abaixo do que essa demanda paga, terá lucros. E ainda poderá aumentar sua produção, reduzindo ainda mais seus custos devido à escala.

Por fim, os preços dos produtos são formados pelo seu preço natural, e seu preço de mercado, que vai depender da quantidade que se demanda da produção, e do nível dos fatores empregados nessa.

Ricardo também usa a mesma teoria para explicar o funcionamento dos salários recebidos pelos operários e trabalhadores.

Temos um salário natural, que é o necessário para o trabalhador sobreviver e manter suas necessidades básicas, e mais o salário de mercado, que flutuará à mesma medida da oferta e procura, ou seja, aumento ou diminuição de produção.

Uma coisa que devemos entender, que mesmo com uma aparência bonita, esse sistema, considerando uma tendência de aumento da população, também gera um aumento desenfreado nos preços, que exigem aumentos de salários para manter esse nível de produção. O que não acontece de forma automática porque os lucros também não vêem de imediato, ao contrário, quando pagando salários mais altos, os lucros caem, e, então não há a possibilidade de aumento de produção.

Ou seja, aumento de preços desenfreados buscando aumento de lucro não é uma boa solução, e era essa encruzilhada que Ricardo se encontrava, mesmo tendo entendido como funcionava os sistemas, não se tinha uma solução.

Então, uma das alternativas que Ricardo sugeriu foi a diminuição dos preços com o comércio internacional, comprando produtos de quem produzisse mais barato que na Inglaterra, a chamada Teoria das Vantagens Comparativas, que já eram aprimoramentos da Teoria das Vantagens Absolutas, feitas pelo Adam Smith. Teorias essas que merecem um post a parte, quando formos falar especificamente de Comércio Internacional.

Por hoje é só, antes que alguém me crucifique por ter simplificado tanto as idéias de Ricardo, o fiz de forma que quem não tem contato com a área, pudesse pegar sua essência. Para quem se interessar, sua obra é muito mais complexa e muito mais esclarecida do que o postado aqui, e literatura é o que não falta.

Partes que tenham ficado confusas ou incompletas, comentem que podemos discutir mais nos comentários, também abertos a dúvidas e observações.

E, como sempre, não fique perdido, siga sempre O Mapa.

Categoria(s): O Mapa

11 marujos comentaram até agora...

  1. Olá Rapazes do Baú Pirata! Bom, passando para dar uma olhadinha no ótimo trabalho de vocês (nada de espionagem). =P
    Deparei-me com este artigo O mapa, David Ricardo. Para quem nunca ouviu a respeito deste economista, fica fácil a compreensão das idéias, parabéns! Vou ler e comentar nos outros também.
    Ainda não ouvi o podcast de vocês, mas Jabur Rio já ouviu o nosso do Negação Lógica, assim que ouvir volto para comentar. Abraço rapazes!

  2. Adri disse:

    Olá!
    Esta coluna é muito interessante. Aborda o tema economia com enfoques históricos e de forma acessível.
    David Ricardo foi um dos primórdios na exigência de rigor científico nos estudos econômicos. Muitos autores expressam a dificuldade de condensar a sua grande contribuição para a teoria econômica.
    Mais um texto que adiciono a minha humilde biblioteca virtual.
    Valeu!

  3. André Abou disse:

    23 anos – Estudante de Adm

    Argh, piratas! Arroi (Warcraft II – essa eu resgatei…)

    Lendo o artigo sobre David Ricardo, e remontando a Adam Smith, morri de rir sozinho! Mas calma, o texto está ótimo, é só a piada interna…

    Me lembrei da uma conversa entre mim e o pessoal do Hotmoney: estávamos andando pela rua, numa sexta-feira à noite, conversando e eis que surge o assunto proibido: a inflação! Na verdade, tudo começou com a deflação, mas é tudo farinha do mesmo saco.

    Tentávamos entender e definir a deflação, o que exigiu todo nosso conhecimento sobre a inflação, passando por David Ricardo e a trupe toda. Só que entender a inflação é uma coisa recorrente no pensamento econômico, já seu irmão “evil”……

    E não é que acabamos ficando até mais de 2h da manhã, no meio da rua, já ameaçados por viaturas de polícia que passavam de tempos em tempos, aos berros, quase nos estapeando? Hahaahahah!

    E eu me lembro claramente de ter insistido com o pessoal que a inflação e a economia funcionam como funcionam justamente porque, num dado momento, a produção de bens não comporta a necessidade das pessoas, que tende a ser crescente com o aumento da população! E me lembro de ter frisado que parte desse movimento de alta nos preços (inflação) vem da incerteza dos agentes econômicos em prever se as demandas serão atendidas, ou seja, a incerteza do sistema. Mas me lembro de quase apanhar nesse momento…

    Sendo assim, deixo minha pergunta: meu raciocínio procede? (espero muito que sim, pra poder soltar um belo TOMA ESSA! hahaahahaaha)

    No mais, gostei demais do jeito descomplicado de falar dos assuntos econômicos (nos livros parece tão confuso!).

    Parabéns pelo site e pelo conteúdo! Agora vou pro PirataCast conferir!

    Abraços!

  4. Irene David disse:

    foi um prazer vitar o site com o vosso artigo sobre David Ricardo, e agradecer pelo apoio visto que estamos a falar mesmo sobre esse pensador economico.
    assim este artigo ficara mais facil entender a materia sobre este pensador economico.

  5. abinadaby disse:

    rapaz foi lega visita este site, pois eu estava em duvida com alguns probleminhas de economia agora estou começanso a dar uma claridada graças a vc !! valeu abraçoss e um otimo trabalho

  6. Rodrigo disse:

    Parabéns pelo site. Estou cursando facul de economia, e sempre tem algum autor que sempre nos encrencamos. E no meu caso foi David Ricardo. Mais vcs estão de parabéns; foi de grande ajuda o post de vcs.
    E caso vcs queriam me enviar mais coisas sobre Ricardo, me sentirei agradecido. Haha.
    Valeu

  7. Andréa disse:

    Olá sou aluna estudante de Geografia e estive estudando economia inclusive por aqui, gostei muito do site e espero visitar mais vezes…
    Você está de parabéns, isso aqui é interessantíssimo e além disso elucidou algumas de minhas dúvidas…

    Grata e um abraço!

  8. Tereza disse:

    Olá, Minha filha iniciou o curso de Adminitração e como estava lendo algo sobre Adam Smith achei interessante e comecei a pesquisar textos. Li este e foi de grande ajuda.
    Abraços.

  9. Ana Cristina Coutinho disse:

    Olá, sou estudante de serviço social, amanhã terei prova de economia e este texto me ajudou muito, está bem claro e resumido. Valeu!
    Abraços.

  10. Digodk disse:

    Bom, terminada de ler a série que, infelizmente, ficou parada no tempo.
    Você escreve e resume muito bem as obras Iskillo, acho que deveria considerar retomar essa coluna, nem que seja uma vez por mês, algo assim. Me interessaria muito por uma série sobre Marx.
    De qualquer forma, parabéns pelos posts, pra quem não entendia nada, já deu uma boa noção sobre o que é de fato economia.

    Abraços!

  11. adorei esta matéria, consegue esclarecer as minhas duvidas


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