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Olá senhores,

No fim do post passado, chegamos ao ponto crucial para as necessidades de mudanças na forma de como eram feitas as relações econômicas no mundo o mercado e o mundo em si era visto. Reflexo este da acumulação de riquezas e do uso de moeda para o comércio, que trouxe uma nova camada social em destaque, os chamados burgueses.

Mesmo hoje esse termo sendo usado pejorativamente entre os pseudo-esquerdistas que não conseguem argumentar uma linha sobre o assunto, a burguesia era nada mais do que a sociedade que estava conseguindo acumular algumas riquezas, junto com os surgimentos das cidades, das feiras, e os próprios burgos. Só que, não conseguiam transformar essa riqueza em poder devido ao sistema de monarquia que o centralizava nas mãos da nobreza.

Esse movimento se intensificou em grande parte da Europa, e também na colônia inglesa na América do Norte, hoje conhecida como EUA. E daí que surgiu as famosas Revoluções Burguesas do século XVIII, totalmente embasadas nas idéias iluministas e liberais que essa nova camada social trazia. A Independência dos EUA foi uma das primeiras e principais revoluções, finalizada em 1783, conseqüência de mais de 30 anos de revoltas. Logo depois tivemos a famosa Revolução Francesa, em 1789, que globalizou os termos Liberdade, Igualdade e Fraternidade, sendo uma reforma mais política do que econômica. Mas o principal marco das mudanças econômicas da época foi a Revolução Industrial da Inglaterra, que se iniciou em meados do século XVIII, e se solidificou no século XIX.

A Inglaterra, como principal centro econômico da época, tinha centralizado mais ainda essa acumulação de riquezas, e também tinha um dos maiores movimentos burgueses, vindos desde as Revoluções Gloriosas do século XVII, que já trazia reformas no sistema político, como a força do parlamento em relação aos monarcas. Soma se a isso, ótimos acordos comerciais que conseguira devido à sua influência com outros países, sempre focando em produtos manufaturados; alguns fatores técnicos, como reservas de ferro e carvão mineral; e os principais cientistas da época, principalmente no desenvolvimento de máquinas.

É nesse contexto que se dá o trabalho de Adam Smith, escocês que viveu entre 1723-1790, e que publicou sua obra máxima em 1776, “A Riqueza das Nações”. Sendo um dos maiores teóricos sobre os movimentos liberais da época, Smith se preocupava em quais eram as causas da riqueza de uma nação, indo de encontro com os mercantilistas, afirmando que era resultado do trabalho e dos produtos por ele criados, e não os bens acumulados com o tempo.

Dessa forma, teorizou a divisão do trabalho, onde mostra como os trabalhadores podem aperfeiçoar e aumentar sua produção quando essa produção é dividida em vários estágios, e cada trabalhador focando e se especializando em cada estágio. Pra exemplificar, vamos usar o mesmo caso que Smith usou em seu livro:

Uma manufatura de alfinetes, onde cada trabalhador é responsável por todo o processo, como: desenrolar o arame, endireitar, cortar o arame, afiar uma ponta, e colocar a cabeça em outra. Todo esse trabalho exigiria muita destreza desse artesão, que poderia com habilidade, produzir, digamos, 20 unidades durante o dia. Com 10 trabalhadores, chegaríamos numa produção de 200 alfinetes por dia.

Agora, por outro lado, se separarmos esses cinco processos, e também esses 10 trabalhadores, dois em cada processo, se especializando e aprimorando no trabalho, observa-se um aumento de produção. No nosso exemplo, podemos dizer que foi produzido 5000 alfinetes no fim do dia. Ou seja, 1000 alfinetes por trabalhador.
(Essa teoria da mão de obra, e a relação trabalhador e capitalista, será mais bem estudada com Karl Marx e sua obra “O Capital”, que veremos mais pra frente)

Outra lado da obra e pensamento de Adam Smith é a busca pelo entendimento de como uma sociedade com fundamentos tão egoístas, como a capitalista, poderia se manter e não sucumbir ao caos?

Smith explicou usando as teorias de mercado, onde todo humano, instintivamente, é levado a agir pelo desejo de uma recompensa. Nessa busca, ele precisa realizar alguma função necessária a outras pessoas, e assim ser recompensado.
Palavras do próprio Smith: “Não é da bondade do açougueiro ou do padeiro que podemos esperar nosso jantar, e sim de seu interesse. Nós nos dirigimos não ao seu espírito humanitário, mas ao seu interesse, e nunca lhes falamos de nossas necessidades, e sim de usas vantagens.”.

Isso é o que chamamos de coesão social, ou seja, todos os indivíduos buscando um interesse pessoal levam espontaneamente a um bem estar social de toda a população. Smith carregou esse conceito para a economia, ou melhor dizendo, para as leis de mercado. A economia deixada livremente em um ambiente de concorrência e competição se ajusta automaticamente. E foi esses movimentos involuntários que ele chamou de “Mão Invisível”.

E foi a partir dessas idéias que nasceu o capitalismo que vivemos até hoje, não é à toa que foi a última mudança histórica se dá principalmente durante as Revoluções Burguesas, mais necessariamente a Revolução Francesa de 1789 que marca a passagem da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. Esse primeiro momento do capitalismo ficou conhecido como liberalismo, pelos fatores aqui já comentados, e será revisto várias vezes até a atualidade como ainda veremos.

No próximo post, ainda continuaremos com os clássicos, agora com um de meus preferidos, David Ricardo, aprimorando os estudos de comércio entre as nações, e as teorias de valoração dos produtos.

Como sempre, dúvidas, criticas e observações são bem-vindas nos comentários.

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Categoria(s): O Mapa

2 marujos comentaram até agora...

  1. Estou curioso para ver como você acha que uma economia centrada no conhecimento e serviços vai mudar tudo isso, talvez marcando a transição da era contemporânea para a era do conhecimento…

    Minha impressão é que alguns princípios básicos do Smith estão caducando, como o egoísmo. Afinal vemos diversas iniciativas de compaixão unindo nações e culturas.

  2. […] This post was mentioned on Twitter by iskilo666 and LivCat. iskilo666 said: RT @piratacast: Novo post no BauPirata.com : [O Mapa] Revoluções Burguesas e Adam Smith – http://uiop.me/fuH […]


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