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[O Mapa] Ciência e Ideologia

17 / ago / 2009
Pablo Muniz


Olá senhores,

Sou um sujeito que não gosto muito de dar desculpas, acredito que uma falha só é corrigida com um êxito à altura, mas infelizmente a única justificativa que tenho de não ter postado a coluna semana passada, era por que estava esgotado com os trabalhos da edição do Piratacast 07 sobre Poker. Prometo compensar quando puder!

Agora, ao que interessa: Iniciarei a partir de hoje uma seqüência de textos sobre o pensamento econômico e sua evolução na história, podendo ser considerado quase uma releitura do livro de Carlos Roberto Vieira De Araujo, uma das melhores e mais sucintas obras que já li nesses anos de vida acadêmica. Un.. tô metido a besta né.. Mas essa é a forma bonita de se dizer que esse livro é o meu salva-vidas nas horas que me embanano no economês da vida.

Para começar a entender o modo de pensamento do homem, devemos voltar aos primórdios da busca por conhecimento, onde as pessoas usavam vários métodos para entender o que se passava ao seu redor. Acontecimentos como fogo, raios e trovões, foram considerados desde mitos atribuídos a divindades, passando por magias pagãs, até serem explicados pela ciência muitos anos após.

Grande parte por causa do efeito tradição do conhecimento, principalmente nos primórdios, quando as revoluções sociais e ideológicas duravam séculos. Algo observado começava se passar por verdade quando se busca apenas explicá-lo do jeito que pensamos que seja, ou mais bem resumido nas palavras de Joan Robinson “(…) a maior parte de nosso raciocínio consiste em descobrir argumentos, para continuarmos a crer no que cremos.”

A grande revolução foi feita quando alguns vanguardistas começaram a observar mais a natureza e seus fenômenos, através de experimentos e representações desses acontecimentos, quantificando e comparando resultados. E assim que nasceu a Ciência. Um de seus maiores expoentes foi Galileu Galilei e suas formulações das leis da natureza, que o levou ao seu conhecido destino trágico.

Agora, por outro lado, podemos avaliar outra vertente do pensamento do homem. Esse é um ser que necessita viver em sociedade, em grupos. Tanto por necessidades emocionais, como econômicas. E é com a especialidade em alguma função que o homem consegue aumentar a sua produtividade, e através das trocas, garantir a sua sobrevivência.

Mas com essa especialização e aumento de produtividade, o homem acaba gerando mais do que é necessário para sua sobrevivência, e isso, robustamente, é o que chamamos de excedente econômico. Dessa forma, a sociedade vai ficando mais complexa, se existe excedente, nem todos precisam trabalhar, nascem então as funções administrativas, culturais, acadêmicas…

Da mesma forma, surge o problema, o que, ou quem, justificará essas diferentes situações do ser humano? Quem ficará trabalhando na terra e quem fará os trabalhos intelectuais? Quem terá privilégios, e antes disso, o que são esses privilégios?

Então, para que haja o convívio pacífico nessa sociedade é necessária uma situação que gere um benefício mútuo, um interesse comum, o que chamamos de coesão social. Assim, são adotados um conjunto de valores, normas, idéias e práticas, buscando essa harmonia de interesses, e é esse conjunto que chamamos de Ideologia. Mesmo já sendo usadas como ferramenta de dominação social pela classe dominante, as ideologias continuam sendo resultados espontâneos das vontades da sociedade, mesmo em propósitos errados.

Comparando Ideologia e Ciência, temos duas formas de evolução do raciocínio, mas com diferentes propósitos: A ciência busca o universo das leis da natureza, enquanto a Ideologia busca valores da sociedade. Mesmo assim, uma interseção das duas é praticamente inevitável, a busca de uma resposta através da ciência facilmente será influenciada pela ideologia de quem a busca, e uma ideologia vai usar dos fatos científicos que tem a disposição para aumentar seus argumentos.

Então chegamos ao cerne do pensamento econômico, que pode ser considerado uma análise da natureza e dos comportamentos de uma sociedade a partir do momento em que se têm excedente econômico, ou em outras palavras, dinheiro na parada! Por isso, veremos vários estudos sobre o mesmo acontecimento gerando diferentes conclusões, e por isso mesmo nenhuma pode ser considerada errada e nem completa, e sim contribuições à complexidade e beleza da economia.

E ficamos por aqui, semana que vem um pouco dos clássicos e o começo das definições econômicas. Como sempre, dúvidas, reclamações e sugestões, os comentários estão sempre abertos.

E não fique perdido, consulte sempre  “O Mapa”.

Categoria(s): O Mapa

Um marujo comentou até agora...

  1. Carango disse:

    Muito legal, muito bem escrito, parabéns!


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